Madona no campo de futebol de sua cidade Serra Preta. Foto: Caroline Sampaio Brito
Em Serra Preta, no interior da Bahia, cidade situada na região semiárida do estado, nasceu o sonho de Madona Esmeralda. Desde os 13 anos, ela calça chuteiras e encontrou no futebol uma paixão que cresceria junto com ela. Três anos depois, estava no Rio de Janeiro vestindo a camisa do Fluminense.
“Eu comecei a jogar futebol quando tinha uns 13 anos de idade. Muitas pessoas me deram a oportunidade de jogar nos times”, relembra Madona. A oportunidade que transformou sua vida surgiu quando foi chamada para integrar o time de base do Fluminense, após ter competido no campeonato baiano. Em meio a desafios e descobertas, a experiência trouxe não apenas visibilidade, mas também dificuldade para se manter financeiramente no Rio de Janeiro e seguir buscando seu sonho profissional. “Mas com fé em Deus, é possível se destacar e realizar nossos sonhos”, afirma Madona
Sonhos que nascem longe dos holofotes
Mesmo longe dos holofotes, Serra Preta abriga talentos que persistem em meio à precariedade de estrutura e escassez de investimentos. O técnico Pedro Buraem, formado em Educação Física, é responsável pelo trabalho de base na cidade, e uma das figuras centrais nesse cenário. Há mais de oito anos ele treina meninas, acreditando que o futebol pode transformar realidades, e que há talentos ainda a serem descobertos. “Trabalho na base e na categoria principal. Acreditamos que daqui podem sair vários talentos para o cenário profissional. No último Campeonato Baiano conseguimos inscrever duas jogadoras”, afirma Pedro.

Foto: Arquivo pessoal da atleta
Madona Esmeralda é uma das muitas meninas que reconhecem a importância do técnico em sua trajetória. “Ele me chamou para jogar o campeonato amador aqui em Serra Preta. Isso me ajudou a sair para outros lugares. Ele é muito importante na minha vida como atleta e também como amigo”, afirma.
A batalha das atletas não se limita ao campo. Lesões e cuidados com o corpo fazem parte da rotina de quem sonha em viver do esporte, mesmo se tratando de futebol amador, a procura por especialistas é fundamental.
Rute Brito Silva, estudante de Fisioterapia em estágio na área de ortopedia esportiva, aponta que alguns cuidados devem ser priorizados entre as mulheres que praticam futebol. “Envolvem uma alimentação saudável, sono regular, boa hidratação e treinos adaptados. As mulheres conseguem ter uma resistência maior e também um consumo de oxigênio mais elevado do que os homens.”
A história de Madona Esmeralda é um reflexo do cenário do futebol feminino no Brasil. A falta de visibilidade e apoio institucional ainda são obstáculos para que mais meninas possam viver do esporte. Mas, com coragem e apoio de iniciativas locais, como a do técnico Pedro, há esperança de que o campo seja mais fértil para os talentos que nascem longe das grandes cidades.
Confira a seguir a entrevista completa, abordando os desafios e esperanças das mulheres no futebol.
